A reforma tributária brasileira, aprovada em 2023 e em fase de implementação gradual, representa a maior mudança no sistema de impostos do país em mais de três décadas. Mas o que ela significa, na prática, para quem compra no mercado, paga aluguel ou tem um pequeno negócio?

A resposta honesta é: depende. E depende de fatores que ainda estão sendo definidos por regulamentações complementares, disputas federativas e decisões políticas que se estenderão pelos próximos anos.

O IVA Dual e seus Efeitos

O coração da reforma é a substituição de cinco tributos — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por dois novos impostos sobre valor agregado: a CBS federal e o IBS subnacional. A ideia é simplificar um sistema que hoje obriga empresas a manter equipes inteiras dedicadas apenas ao cumprimento de obrigações fiscais.

Para o consumidor, a promessa é de maior transparência: o imposto embutido no preço dos produtos passará a ser visível na nota fiscal. Para as empresas, especialmente as menores, a simplificação pode reduzir custos de conformidade.

O Cashback para os Mais Pobres

Uma das inovações mais discutidas é o mecanismo de cashback para famílias de baixa renda. A ideia é devolver parte dos impostos pagos no consumo para beneficiários de programas sociais, reduzindo a regressividade do sistema.

Os detalhes ainda estão sendo regulamentados, mas estimativas iniciais sugerem que famílias inscritas no Cadastro Único poderiam receber entre R$ 50 e R$ 150 mensais em devoluções, dependendo do perfil de consumo.

O Que Ainda É Incerto

A alíquota padrão do novo IVA ainda não foi definida com precisão. Projeções do governo apontam para algo entre 26% e 28%, o que colocaria o Brasil entre os países com maior carga tributária sobre consumo do mundo.

Setores com tratamento diferenciado — agronegócio, saúde, educação, transporte — ainda negociam suas alíquotas reduzidas. O resultado final dessas negociações determinará se a reforma de fato simplifica ou apenas redistribui a complexidade.