O SUS é frequentemente descrito em dois extremos: ou como um sistema falido e ineficiente, ou como uma conquista civilizatória sem paralelo no mundo. A realidade, como quase sempre, é mais nuançada e mais interessante do que qualquer um dos extremos.

Os números mais recentes do Ministério da Saúde oferecem uma fotografia complexa de um sistema que atende mais de 150 milhões de pessoas, realiza cerca de 4 bilhões de procedimentos por ano e enfrenta pressões crescentes de uma população que envelhece e de doenças que mudam de perfil.

O Que Funciona

O programa de imunização brasileiro é reconhecido internacionalmente como um dos mais eficientes do mundo. A cobertura vacinal, que chegou a superar 95% em diversas vacinas antes da pandemia, é fruto de décadas de investimento em infraestrutura e formação de agentes de saúde.

O transplante de órgãos é outro ponto de destaque. O Brasil tem o segundo maior programa público de transplantes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e realiza mais de 25 mil procedimentos por ano pelo SUS.

Os Gargalos Persistentes

As filas para consultas especializadas e exames de média e alta complexidade continuam sendo o principal ponto de estrangulamento do sistema. Em alguns estados, a espera por uma consulta com cardiologista ou neurologista pode ultrapassar dois anos.

A distribuição geográfica dos serviços é outro problema estrutural. Enquanto capitais e cidades médias têm oferta razoável de serviços, municípios pequenos e regiões remotas dependem de deslocamentos longos e custosos para acessar cuidados básicos.